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Beira Baixa, descubra o interior de Portugal e a rota do azeite

Para dizer a verdade, não tinha ainda visitado calmamente a região da Beira Baixa até fazer recentemente umas férias nesta zona. A região fica bem no interior de Portugal, um pouco acima de Lisboa e já fazendo fronteira com Espanha.
A Beira Baixa é uma das maiores regiões de Portugal e também das menos povoadas. Se procura locais sossegados para desfrutar da natureza, gastronomia e tradições populares, então esta pode ser uma boa opção.
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Como chegar à Beira Baixa

Como referi anteriormente,  a Beira Baixa fica no interior de Portugal e se traçar uma linha entre Aveiro e Madrid, encontrará no mapa esta região que faz fronteira com Cáceres. Pode-se chegar de carro por boas estradas e, se quiser, de comboio também pode fazê-lo sem problemas partindo de Lisboa para Castelo Branco. Por ser uma região bastante extensa e com muitas cidades, vilas e aldeias históricas, aconselho que venha de carro para desfrutar calmamente.
As cidades mais conhecidas da região são Castelo Branco e Idanha-a-Nova. Durante os dias que lá estive pude conhecer um pouco desta região e já estou a pensar voltar a continuar a descobrir locais como Belmonte, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão entre outras.

Idanha-a-Nova

É uma vila curiosa com um antigo castelo no topo e com muitas casas que vão chamar a sua atenção. Ao longo da história celtas, visigodos, muçulmanos, templários e outros passaram por aqui até os dias de hoje. Portanto, o legado cultural de toda esta região é impressionante.
Perto está Monsanto, que foi eleita há alguns anos a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, onde, entre outros locais curiosos, encontramos a “Casa do Penedo”, uma casa feita no interior de uma rocha gigante. Não perca uma visita ao concelho de Idanha-a-Velha, uma região pela qual me apaixonei. A estrada romana que ligava Braga a Mérida passava por aqui. Tem uma catedral visigótica – a única do gênero em toda a península – e que atendia a duas religiões, a católica e a muçulmana, sendo por um longo período adaptada como mesquita. Na sua envolvente pode visitar um dos mais importantes sítios arqueológicos de Portugal.
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Penha Garcia

Esta curiosa aldeia com as ruínas do seu castelo medieval no topo, guarda muitos fósseis nas rochas, pois apesar de ficar agora no interior do país, há mais de 490 milhões de anos que o mar se estendia até aqui.
Nas rochas podemos ver fósseis marinhos de vários tipos. No Parque Icnológico de Penha Garcia é possível avistar vestígios de trilobitas e outros seres marinhos fossilizados nas suas rochas, algo super curioso.
Aqui também é possível ver um tanque que simboliza o fim da ditadura em Portugal no dia 25 de abril, com algumas esculturas em forma de cravos no chão.

Parque Natural do Tejo Internacional e Geopark Naturtejo

A natureza selvagem e uma biodiversidade impressionante são as marcas desta região, que é sem dúvida um santuário de biodiversidade onde a vegetação, a fauna, a flora e a paisagem formam um equilíbrio impressionante.
Ainda não fiz o passeio de barco pelo Tejo nesta região, que segundo conta é impressionante. Fica marcada para a minha próxima visita à Beira Baixa. Esta região é Reserva da Biosfera da UNESCO e por isso tem um tratamento especial: aqui vivem espécies em perigo de extinção. Por essa razão juntos devemos cuidar um pouco mais do planeta e tentar não estragar em poucos anos o que demorou milhares de anos para construir.
Idanha-a-Nova também faz parte do Geopark Naturtejo, um território com mais de 5000 km2 e que a UNESCO classificou como geoparque mundial. Aqui você pode descobrir a história de mais de 600 milhões de anos da Terra.
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Um dos melhores azeites do país

Conhecer todo o processo de elaboração do azeite e poder fazer todo o percurso desde as olivais até à sua degustação à mesa tem sido uma experiência superinteressante e recomendada para conhecer todos os trabalho e esforço que devem ser colocados na obtenção de um litro de azeite de alta qualidade.
Com o certificado de azeite extra virgem biológico como imagem de marca, pude ficar a conhecer todo o trabalho desenvolvido pelos produtores de azeite da Egitânia em Idanha-a-Nova.
Inovar dentro da tradição e cuidar de olivais abandonados, buscando uma via viável tanto ambiental quanto economicamente é um de seus objetivos. É muito claro que o olival é um património paisagístico e cultural que vai desde a forma de o trabalhar à sua relação com a vida das gentes locais, uma vez que os olivais fazem parte da sua história.
Segundo me disseram, as oliveiras podem ter em média 90-100 anos, mas na quinta que visitei existem oliveiras com mais de 500 anos.
Por aqui passaram Visigodos, Muçulmanos, Templários ao longo da história desde o Império Romano. Por isso, os olivais têm dado fruta e azeite a muitas gerações e a muitas culturas. Os mais antigos foram cuidados e podados por muitas mãos diferentes ao longo de centenas de anos. Aqui cultivam-se variedades endémicas de oliveiras, variedades que devem ser preservadas, variedades de oliveiras únicas nesta região e portanto muito específicas.
Infelizmente, muitas quintas optaram por arrancar as velhas oliveiras e decidiram plantar oliveiras de variedades com produção intensiva de forma a buscar a maior rentabilidade do olival, mas a qualidade do azeite nada tem a ver com o obtido das oliveiras tradicionais com dezenas ou centenas de anos.
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A Egitânia e o seu projeto de agricultura orgânica

A Egitânia é clara no seu projeto de agricultura biológica. É um projeto de agricultura sustentável cuidadoso que respira paixão naquilo que faz. Atualmente têm mais de 7000 oliveiras e os seus principais operários são os seus rebanhos de ovelhas que ajudam no pastoreio na manutenção da terra e contribuem com a sua ajuda ao ecossistema, transformando a relva em adubo e afastando os rebentos das oliveiras.
Decidiram que os rebanhos de ovelhas deveriam ser de duas raças em perigo de extinção, a Merina da Beira Baixa e a Merina Preta, ajudando assim a prevenir a extinção destas raças de baixo rendimento para a agricultura intensiva.
Sem dúvida um exemplo muito interessante de sustentabilidade e ecologia. Estão também a desenvolver vários projectos de turismo rural e actualmente a organizar visitas guiadas com diferentes provas de azeite, para que o público saiba diferenciar entre os diferentes tipos de azeite virgem e as variedades existentes. A colheita da azeitona é um trabalho complicado, quase manual. Cada oliveira deve ser colhida cuidadosamente de galho em galho e, uma vez no solo, as folhas e as azeitonas devem ser separadas manualmente. Nesta quinta, pequenas máquinas são utilizadas para sacudir as oliveiras e fazer com que tanto os ramos como os frutos sofram o mínimo possível.
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Primeira Biorregião de Portugal

Em Idanha-a-Nova tudo o que é relacionado com ecologia e produção sustentável é levado muito a sério. Esta região foi a primeira Biorregião de Portugal. Hoje continua a ser um exemplo a seguir. Aqui existem várias eco-empresas que são referências na Europa e a partir daqui sementes biológicas de mais de 250 espécies são vendidas para todo o mundo.

Cooperativa Agrícola dos Olivicultores do Ladoeiro

Esta cooperativa ajuda a recolher todas as azeitonas dos seus associados para as transformar em azeite. Durante a visita a esta cooperativa, é possível acompanhar todo o processo de fabricação, desde a recepção da azeitona – que chega em caixas plásticas perfuradas para evitar que se estraguem – passando pelo processo de lavagem e transporte pelas diferentes correias até à prensagem onde é obtido o azeite.
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Núcleo do azeite de Proença a Velha

Foi muito interessante visitar este museu, outrora um complexo agrícola e que se tornou um espaço museológico dedicado ao azeite e à sua ligação com esta região.
Aqui você pode ver quatro moinhos diferentes que foram usados para produzir azeite ao longo dos anos. Os antigos foram preservados e novas tecnologias foram adicionadas ao processo produtivo. Este espaço é uma visita interessante para compreender a cultura do azeite em Portugal, mais especificamente na região da Beira Baixa

Gastronomia na Beira Baixa

A Beira Baixa é uma região que vive da agricultura e a sua gastronomia é muito variada. Destacam-se os queijos e azeites protegidos pela DOP (Denominação de Origem Protegida).
Os mais valorizados são os queijos de Castelo Branco e os queijos amarelos e picantes da Beira Baixa, entre outros.
Como em muitas outras regiões de Portugal, as sopas são um produto típico da região, para além das carnes de cabra, cabrito, borrego, porco ou vaca e os enchidos típicos.
Receitas e pratos de caça como javali, lebre ou veado também fazem parte da gastronomia tradicional local.
Aproveite para passar ainda no Fundão e provar as famosas cerejas cultivadas nas encostas da serra da Gardunha, se possível durante a época das cerejeiras em flor.
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Artesanato e tradições

Os “Marafonas” são bonecos que pertencem ao artesanato tradicional da Beira Baixa. Essas bonecas não têm olhos, nem boca, nem orelhas.
Os recém-casados colocam-nos debaixo da cama e simbolizam fertilidade e boa sorte no casamento.
Tive também a sorte de poder assistir a uma apresentação das “Adufeiras” com os seus tradicionais instrumentos musicais de formato quadrado feitos com pele de ovelha ou de cabra.

Cultura e eventos na Beira Baixa

A atividade cultural é também uma referência da região. Entre outros, celebra-se o festival “Fora de Lugar” com apresentações musicais em locais inesperados, como por exemplo dentro de igrejas ou mercearias.
A cada dois anos realiza-se também o Boom Festival, festival de referência de música eletrónica e alternativa na Europa ou o ecofestival Salva a Terra, entre outros. Também há ainda o Festival da Melancia, ou na época natalícia, a Festa do Madeiro.

Termas de Monfortinho

Tomar banho num spa e descansar o corpo enquanto recebe um dos tratamentos é sem dúvida um grande plano.
As Termas de Monfortinho ficam localizadas bem perto da fronteira com Espanha. Têm uma das mais antigas nascentes termais de Portugal, já conhecida pelos romanos quando estiveram por estas terras. São indicadas para problemas de pele, doenças hepato-vesiculares, gastrointestinais, reumáticas ou respiratórias.
Existe ainda uma ampla gama de tratamentos. Aproveite para tomar um banho de hidromassagem numa das suas banheiras, uma jet terapia ou simplesmente um duche. Um verdadeiro mimo para o corpo.

Alojamento na região

Em Monfortinho pode ficar hospedado no hotel Fonte Santa (bem próximo das termas). Os quartos são confortáveis e espaçosos, com vista para o jardim e para a piscina. O buffet de pequeno-almoço é muito completo e variado. Tem estacionamento gratuito e fica situado no meio da natureza. Este hotel é uma agradável descoberta se procura um local para descansar e desfrutar da natureza.
De seguida pode ver algumas sugestões para alojamento da região com preços actualizados e onde pode fazer a reserva directamente.
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Espero voltar muito em breve para continuar descobrindo esta região que tanto gostei e poder dedicar mais alguns dias a ela.
Você já sabe que aceito sugestões e recomendações para completar este artigo. Fico a aguardar o seu comentário.
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