Viagens na Minha Terra, dia 2

Viagens na Minha Terra, dia 2

Depois de uma noite que me pareceu demasiado curta, acordámos e fomos tomar um rápido pequeno-almoço. Antes de sair do quarto, no Hotel dos Templários, não pude deixar de apreciar a bela vista sobre o Jardim do Mouchão e as águas do Rio Nabão. Recordei-me então da triste lenda de Santa Iria e apercebi-me, que em todos os recantos desta cidade encontramos lendas, histórias antigas e mitos ligados à formação de Portugal e da nossa identidade nacional.

hotel dos templariosMas era hora de ir embora em direção à lezíria ribatejana, mais concretamente à zona do Cartaxo, por muitos chamada de “A Capital do Vinho”, onde fomos calorosamente acolhidos na Quinta do Gaio de Baixo, lembrando-me das palavras de Almeida Garrett, na sua obra “Viagens na Minha Terra”: Quero procurar no reino das sombras não menor pessoa que o Marquês de Pombal: tenho que lhe fazer uma pergunta séria antes de chegar ao Cartaxo. E nós já vamos por entre os ricos vinhedos que o circundam com uma zona de verdura e alegria.

quinta do gaio de baixoEsta quinta tipicamente ribatejana, fica situada a cerca de 50 quilómetros de Lisboa e apenas a 2 quilómetros do Cartaxo. Tem 300 hectares e teve sempre uma função agrícola, possuindo atualmente uma afamada ganadaria.

Foi em 1991 que se iniciou na atividade turística, potencial descoberto através de um casamento da segunda filha do atual proprietário, Pedro dos Santos Lima. Atualmente, a Quinta do Gaio de Baixo destaca-se pela formação de Outdoor, “Team Building”, atividades com gado bravo (safaris fotográficos, corridas de touros, vacadas, jogos vários), realização de casamentos, batizados e festas.

quinta do gaio de baixoAinda aqui, fizemos alguns divertidos jogos populares, conhecemos a arena da quinta, usada para pequenas demonstrações tauromáquicas e pouco depois, já estávamos cheios de fome e prontos para o almoço.

Costuma-se muitas vezes dizer que comer e beber é um dos prazeres desta vida e aqui isso ficou plenamente demonstrado, num almoço ao ar livre feito com produtos locais e cozinhados na cozinha da quinta. Pode haver alguma coisa melhor do que isto?

Infelizmente, tudo o que é bom tem um fim e pouco depois terminávamos o almoço. Fomos então convidados a visitar a quinta num trator a apreciar os magníficos touros aqui criados, experiência muito interessante.

Pouco depois terminara a visita à Quinta do Gaio de Baixo e era tempo de irmos para Valada do Ribatejo, uma típica terra ribatejana à beira do Rio Tejo, onde iriamos dar um passeio de barco.

valada do ribatejoO Rio Tejo tem uma marca acentuada no caráter da região e das suas gentes. É fonte de vida, devido às águas usadas para irrigar os campos ribatejanos, mas também pode levar tudo, quando se zanga e sai das margens. É um rio importante, também pelas histórias das pessoas que vivem nas suas margens. É cantado nos fados de Lisboa que enquanto as pessoas envelhecem, o Tejo continua a ser jovem (“ai… o cabelo branqueando, mas o Tejo é sempre novo”). Também Fernando Pessoa nos poemas de Alberto Caeiro escreveu: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia”.

Mas este passeio tinha uma surpresa, o barco era especial, movido a energia elétrica. Isso mesmo, fomos passear num barco silencioso, onde se pode apreciar o murmurar das águas, os gritos das aves nos mouchões e as margens do Tejo e o relinchar dos cavalos que por ali andavam. Sem dúvida, uma experiência diferente e recomendável, principalmente para quem gosta de admirar a natureza, a sua fauna e a sua flora. Espero voltar a repetir a experiência.

Atracámos de seguida num cais fluvial, numa magnífica quinta de turismo rural perto de Benfica do Ribatejo, com uma localização maravilhosa em frente ao rio Tejo. Será certamente uma excelente opção para uma estadia na região.

Mas era tempo de rumar a sul em direção à cidade natal do poeta sadino Bocage, Setúbal, onde ficámos alojados no Hotel do Sado, um hotel com uma vista espetacular sobre a cidade e o porto. Também aqui as condições do hotel permitem uma estadia calma e agradável aos seus hóspedes, o que juntamente com a vista panorâmica, que aqui podemos desfrutar, faz com que este local seja perfeito para ficar, quando visitar a cidade de Setúbal.

Foi ainda uma surpresa, quando no delicioso jantar de frutos do mar, fomos brindados com a atuação de uma jovem fadista, que nos surpreendeu pela sua voz, apesar da juventude, o que nos fez prolongar o jantar até ao final da sua atuação.

Já a noite ía longa, quando finalmente fomos dormir. No dia seguinte terminaria a viagem. Infelizmente…

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