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Pelos meandros do rio Côa no Sabugal

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A zona norte da Beira Interior é uma das regiões portuguesas mais desconhecidas para o turismo. A sua localização, limítrofe com a fronteira de Espanha a leste, significa que não é sequer um local de passagem, excepto para chegar a Aveiro a partir do território espanhol.
Mas se olharmos para trás, a história não diz a mesma coisa. Como qualquer região fronteiriça de direito próprio, a Beira Interior Norte era de enorme importância estratégica e, como resultado deste legado, existe um bom número de castelos e terras de extraordinário interesse. Castelo Bom, Castelo Mendo, Almeida, Belmonte, Sortelha e Sabugal são apenas algumas das cidades que conseguiram preservar o seu património e mostrá-lo aos visitantes que os visitam de tempos a tempos.
Mas para além das memórias do passado, algumas destas vilas e cidades estão localizadas em enclaves naturais muito interessantes, onde o rio Côa ocupa um lugar privilegiado. Precisamente os meandros formados por este rio são os protagonistas deste percurso no Sabugal que foi recuperado e que aproveitámos para conhecer.
Embora Sabugal seja uma das cidades mais importantes da Beira Interior Norte. O seu interesse patrimonial é menor do que o de outras cidades mais pequenas nas proximidades. Nesta cidade destaca-se o seu Castelo das Cinco Quinas excelentemente preservado, que data da época em que Sabugal pertenceu ao Reino de Leão durante o reinado de Afonso IX no final do século XII. Mas esta cidade tem a sorte de ficar localizada nas margens do rio Côa, o que lhe permite desfrutar de um ambiente natural encantador. Por esta razão, decidimos fazer esta rota no Sabugal, pelos meandros do rio Côa, durante um dia em que também visitámos as cidades de Belmonte e Sortelha.

O rio Côa e os seus meandros, protagonistas deste percurso pelo Sabugal

Esta rota faz parte dos “Percursos pedestres do Sabugal” que foram sinalizados e promovidos para que os caminhantes também tenham os olhos postos nos encantos desta cidade. O PR1 é o Meandros do Côa, uma rota circular que começa e termina no centro da cidade de Sabugal e corre ao longo do rio.
É um percurso simples, com pouco mais de dez quilómetros e com pouca elevação, não sendo muito exigente. Precisamente o facto de ser plano significa que os meandros do Côa não podem ser claramente vistos, pois estamos constantemente a caminhar ao mesmo nível do rio.
Esta rota no Sabugal começa junto à ponte que atravessa o rio Côa na Avenida Infante D. Henrique. Nesta altura, pode deixar o seu veículo bem parqueado, uma vez que existe um parque de estacionamento. Com vista para o castelo do Sabugal, a rota obriga-nos a atravessar o Côa, não pela ponte acima referida utilizada para o tráfego de veículos, mas por um pequeno cais construído paralelamente a ele. Os primeiros metros do percurso são os menos atrativos, pois é um caminho que passa entre algumas das casas e pomares do Sabugal.
Quando se deixa a cidade para trás, o caminho entra numa bela floresta de pinheiros e carvalhos, bem como arbustos baixos como as giestas, que na Primavera dão um colorido ao percurso. A Primavera e o Outono são as melhores épocas do ano para fazer esta rota devido à paleta variada de cores das margens do rio Côa na área em redor do Sabugal.
Nas proximidades de Quintas de São Bartolomeu, cujas casas veremos à nossa esquerda, o caminho vira completamente para a direita num ângulo de 90 graus. Este é o ponto em que nos encontramos mais afastados do rio Côa, pois a partir deste ponto estaremos a aproximar-nos dele para seguir o seu curso.
Os carvalhos e pinheiros dominam uma paisagem na qual também podemos ver alguns vestígios de como o homem aproveitava ao máximo os recursos naturais. Estes restos correspondem a vários moinhos de água que estão completamente abandonados e datam do início do século XX. Nos “Moinhos dos Margaridos” um painel informativo explica a história e o funcionamento destas infra-estruturas tão úteis para os trabalhadores agrícolas da época.
Esta “tecnologia”, introduzida pelos romanos em Portugal, foi utilizada durante anos para moer cereais e fazer farinha nesta zona da Beira Interior Norte. De facto, não menos de 53 moinhos foram contados ao longo das margens do rio Côa. Só nesta rota, no Sabugal, podemos ver seis.
A partir dos “Moinhos dos Margaridos”, o caminho segue o rio Côa como uma lapa durante vários quilómetros. A paisagem muda neste ponto do percurso, e encontramos vegetação ribeirinha dominada por salgueiros, castanheiros, amieiros, freixos e fetos. O som da água cristalina do rio é a banda sonora perfeita para um percurso que entra num trecho de grande beleza. O ponto médio do percurso é o momento em que atravessamos o rio Côa sobre uma pequena ponte para regressar ao Sabugal, na margem oposta.
O caminho continua a correr paralelamente ao rio e, graças a isso, poderemos apreciar um dos meandros que ele forma, como se pode ver no traçado do percurso que aparece no início do posto. Embora a observação da fauna que habita estas partes seja complicada, no nosso caso encontrámos uma lacerta schreiberi, vulgarmente conhecido como o lagarto-de-água.
No caminho de regresso também passamos pelos restos de uma velha mina antes de nos afastarmos ligeiramente do rio e nos dirigirmos para o último troço entre campos e pequenas quintas utilizadas para pastoreio. Antes de regressar ao Sabugal, veremos os restos de outro moinho, da Tapada de São Lázaro.
O percurso termina no mesmo ponto onde começou, junto ao rio Côa e com a imponente vista para o Castelo do Sabugal. Tivemos a oportunidade de ver a nascente deste rio na Serra das Mesas, junto à cidade fronteiriça de Foios. Mas também apreciámos o Côa de perto na Serra da Malcata enquanto provávamos algumas trutas no restaurante Trutalcôa. E, como se isso não fosse suficiente, também nos acompanhou na nossa viagem ao passado nas belas aldeias de Castelo Bom e Castelo Mendo. Um rio com um simbolismo especial que nesta ocasião tem sido o nosso companheiro de caminhada ao longo dos seus meandros num percurso no Sabugal, ainda pouco conhecido, mas de grande interesse.
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